Jovem Imunologista – Inflamação – 2ª Aula

A inflamação é uma reação do organismo que ocorre quando há infecção ou lesão do tecido e tem como função eliminar o microrganismo e/ou reparar o dano causado. Existem dois tipos de inflamação, a não infecciosa e infecciosa. A primeira é causada por dano no tecido, como queimaduras e pancadas. A inflamação infecciosa é causada por microrganismos, ou seja, aqueles que causam doenças. Ambas as inflamações podem apresentar os mesmos sinais característicos: Calor, Vermelhidão, Inchaço (Edema), Dor e Perda de função.

No caso de uma inflamação infecciosa, bactérias entram no tecido e são reconhecidas por células do sistema imunológico (residentes), como os macrófagos e mastócitos. Essas células apresentam receptores que reconhecem moléculas encontradas apenas nesses microrganismos. O reconhecimento leva a ativação dessas células que liberam várias substâncias. Dentre elas podemos citar as citocinas, que são proteínas sinalizadoras, importantes para auxiliar outras células na destruição de microrganismos. Os mastócitos são células que têm como principal função liberar substâncias de seus grânulos, como a histamina, que atua nas células do endotélio vascular, fazendo com que os vasos sanguíneos aumentem de diâmetro (vasodilatação), o que leva a uma maior circulação de sangue naquela região. Devido a maior quantidade de sangue, essa região fica avermelhada e quente, dois dos cinco sinais da inflamação (Vermelhidão e Calor). O espaço entre as células endoteliais (que formam o vaso sanguíneo) também fica maior, aumentando a permeabilidade do vaso, facilitando a passagem de plasma (parte líquida do sangue) de dentro do vaso para os tecidos. Como consequência ocorre o Inchaço, devido ao acúmulo de líquido nessa região. Outras substâncias liberadas pelas células imunológicas também podem atuar nas células nervosas sensibilizando-as. Dessa forma, quando há uma inflamação, sentimos Dor na região afetada, sinalizando ao indivíduo que há algo errado acontecendo.

Dependendo da quantidade de bactérias que entrou, os macrófagos chamam reforços para ajudar o combate da infecção, através da liberação de citocinas. Essas proteínas atuam como mensageiros nas células endoteliais para recrutar outras células, os neutrófilos, que estão circulando dentro do vaso sanguíneo. Após receberem essas mensagens, eles migram para o tecido por um processo chamado diapedese. Uma vez no tecido, os neutrófilos são capazes de ajudar os macrófagos a fazerem a fagocitose (ingestão e destruição dos microganismos). Após a eliminação dos microrganismos, os macrófagos fazem a limpeza do campo de batalha e sinalizam novamente para as outras células, informando que está tudo bem e que elas podem voltar ao normal, ou seja, ao estado de homeostase (organismo em equilíbrio). Em alguns casos, a resposta imune inata não consegue dar conta desse trabalho, aí é preciso chamar as células da imunidade adaptativa, os linfócitos, que vêm auxiliar na resposta contra os microrganismos (esse tipo de resposta será abordado nas próximas aulas).

Infelizmente, existem alguns microrganismos que conseguem fugir dos dois tipos de resposta imune, nesse caso a infecção e inflamação vão progredir… Nesses casos é que devem ser tomados anti-inflamatórios e antibióticos. Os anti-inflamatórios são usados para diminuir os sinais da inflamação, principalmente quando eles causam muita dor ou atrapalham as atividades diárias do indivíduo, como quando temos dificuldade de nos alimentar devido a uma inflamação na garganta. Já os antibióticos atuam destruindo os microrganismos, portanto esses medicamentos só devem ser usados quando há uma inflamação causada por bactérias (só o médico sabe disso). Além disso, o uso errado/exagerado desse tipo de medicamento pode favorecer o aparecimento de “superbactérias” que não morrem se tomarmos medicamentos.

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