Discussão de Artigo Científico – 30/03/15

Matrilina-2 derivada de axônios induz resposta inflamatória que exacerba aneuroinflamação autoimune

 Atualmente, é amplamente aceito que a perda e o dano axonal imunomediados são os principais determinantes de incapacidade neurológica irreversível em pacientes com esclerose múltipla (EM). Por isso, é necessário que novas terapias neuroprotetoras, que possam ser administradas em associação com as terapias imunomoduladoras convencionais, sejam desenvolvidas, a fim de reduzir a progressão da doença de modo mais eficiente. Estudos recentes têm mostrado que diversas moléculas da matriz extracelular, incluindo biglicanos e ácido hialurônico, podem atuar como DAMPs (damage-associated molecular pattern molecules) após dano celular ou degradação da matriz extracelular, sinalizando via células do sistema imune inato e amplificando a resposta inflamatória local. Em estudo publicado em fevereiro deste ano no Journal Clinical Investigation (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4347228/), Jonas e colaboradores identificaram matrilina-2 (MATN2), uma proteína da não-colagenosa da matriz extracelular, como uma molécula endógena amplamente expressa por neurônios em resposta à lesão axonal imunomediada. Fora do sistema nervoso central, a MATN2 é um componente estrutural da matriz extracelular em muitos tecidos, incluindo a pele, e alterações na expressão gênica desta proteína foram observadas em diversos modelos de doenças associadas à inflamação, como o câncer e fibrose; embora as suas funções específicas não tenham sido elucidadas. Este estudo demonstra que MATN2 é regulada e liberada pelos neurônios do cótex motor subsequentemente à lesão axonal aguda e que, quando liberada para o meio extracelular, esta proteína é reconhecida por macrófagos/microglia via TLR4/Myd88. Uma vez reconhecida, é capaz de induzir a fosforilação de MAPKs e NFKB, aumentando a transcrição de genes pró-inflamatórios e contribuindo para a exacerbação da resposta inflamatória local, aumento da lesão tecidual e dos sinais clínicos da doença. Em contrapartida, animais deficientes para MATN2 apresentam lesões e scores clínicos mais brandos que os animais selvagens. Desse modo, especula-se que o bloqueio da sinalização MATN2 ou sua neutralização poderia ser aplicado, futuramente, como uma nova estratégia terapêutica a fim de reduzir a lesão e progressão da doença.

Texto escrito por Marcela Davoli Ferreira

DIA: 30/03/2015 (segunda-feira)

LOCAL: Sala de Seminários II – Prédio Central – FMRP

HORÁRIO: 11:00 horas

Artigo Seminário