Discussão de Artigo Científico – 30/11/15

DIA: 30/11/2015 (segunda-feira)

LOCAL: Sala de Seminários I – Prédio Central – FMRP

HORÁRIO: 08:30 horas

Paper

A Tetrahidrobiopterina (BH4) é um cofator indispensável para síntese de serotonina, catecolaminas e oxido nítrico. A sua principal via de produção é regulada pela atividade da GTP cilohidroxilase 1 (GCH1), que catalisa o passo inicial e limitante na via sintética do BH4, a partir de trifosfato de guanosina (GTP), e também pela sepiapterina redutase (SPR), responsável pela conversão final de compostos intermediários em BH4. Em um trabalho publicado no periódico Nature Medicine em 2006, pesquisadores demonstraram que concentrações de BH4 são críticas para o processo de dor neuropática e inflamatória e que polimorfismos na GCH1 estão associados a uma redução na sensibilidade a dor.

O presente trabalho levanta a questão de onde e como o excesso de BH4 contribui para o processo neuropático além de discutir como a interrupção da síntese de um cofator crítico pode constituir uma estratégia de desenvolvimento de uma droga analgésica viável sem gerar efeitos colaterais.

Dessa maneira, foi demonstrado que o excesso de BH4 é produzido em camundongos por neurônios sensoriais lesionados e por infiltrados de macrófagos no nervo danificado e no tecido inflamado. Essa superprodução de BH4 nos neurônios do gânglio da raiz dorsal (GRD) promove um aumento na sensibilidade a dor, enquanto que seu bloqueio reduz a hipersensibilidade a dor. Para minimizar os riscos de efeitos adversos, os pesquisadores  desenvolveram um potente inibidor de SPR (SPRi 3), uma vez seu bloqueio ainda permite uma produção mínima de BH4, através de uma via alternativa  (salvage pathways). Portanto, a administração sistêmica de SPRi3  foi capaz de reduzir a dor crônica através da diminuição nos níveis de BH4 tanto nos neurônios sensoriais como também nos macrófagos, sem desenvolver tolerância ou efeitos adversos.