Discussão de Artigo Científico – 07/03/16

DIA: 07/03/2016 (segunda-feira)

LOCAL: Sala de Seminários II – Prédio Central – FMRP

HORÁRIO: 11:00 horas

Paper

A hipersensibilidade de contato alérgica é uma doença inflamatória da pele mediada por células T responsivas a haptenos. O fator de transcrição NFAT foi identificado, primeiramente, em células T ativadas, nas quais regula a ativação e prolireção. Por essas razões, drogas que inibem a atividade da enzima que promove a ativação dos fatores NFAT, a calcineurina, são utilizadas como potentes imunossupressores. A medida que os estudos evoluíram, pode ser observado que o conjunto de fatores NFAT regulam a expressão de uma vasta gama de proteínas, até mesmo aquelas que podem ter efeitos fisiológicos opostos. No artigo discutido, o interesse dos pesquisadores em investigar o papel do NFAT1 na hipersensibilidade de contato alérgica surgiu da observação de que camundongos deficientes em NFAT1, em idade mais avançada (aproximadamente 40 semanas), espontaneamente, desenvolvem inflamação de pele. O modelo utilizado neste estudo foi a hipersensibilidade crônica induzida pela aplicação do hapteno DNCB nas orelhas em camundongos WT e NFAT1 KO (6-8 semanas de idade). Os camundongos deficientes em NFAT1 desenvolvem inflamação mais intensa nas orelhas. Além disso, as células CD4+ e CD8+ extraídas dos linfonodos drenantes desses animais produzem maiores níveis de efetores patogênicos e possuem maior capacidade de proliferação. Os efeitos observados se devem à menor susceptibilidade dessas células à apoptose, o que pode ser explicado por menores expressões de genes pró-apoptóticos, que são diretamente regulados por NFAT1. Confirmando o papel do NFAT na regulação da apoptose nessas células, estão os dados nos quais foram feitas a superexpressão e reconstituição de NFAT1 em células WT e deficientes em NFAT1, respectivamente. Em ambas as situações, a apoptose e a expressão de genes pró-apoptóticos foram aumentadas. Para confirmar esses resultados, in vivo, camundongos deficientes em Rag2 que receberam células de camundongos deficientes em NFAT1 tiveram maior resposta inflamatória após a aplicação de DNCB, bem como menos apoptose e menores expressões de genes relacionados com esse fenômeno.