Pesquisa descobre nova função de uma conhecida enzima no processo de defesa do organismo

O corpo humano, quando em condições de estresse ambiental como a presença de um invasor, responde rapidamente através da inflamação local. Este processo, porém, acaba desgastando os tecidos, que para se recuperar passam a produzir proteínas novas, consumindo, para isso, aminoácidos presentes no organismo. Os aminoácidos são estruturas formadoras das proteínas.

É nesse momento que o GCN2, a enzima objeto de estudo dos pesquisadores, entra: ele percebe que o nível de aminoácidos está baixo e sinaliza o próprio sistema de defesa, avisando o para descontinuar o processo de inflamação. Dessa forma, o ciclo se encerra após a sua entrada.

Se essa enzima não cumpre o seu papel de sinalização, o organismo poderia seguir continuamente inflamando a região onde se encontra o invasor e, com isso, desgastar ainda mais o órgão, causando doenças como úlceras.

O trabalho publicado na Revista Nature no dia 16 de março, de um grupo de pesquisadores da Emory University, em que estão envolvidos profissionais dos Estados Unidos, Índia e Brasil relata a importante descoberta. A equipe desvendou esta nova função do GCN2. Antiga conhecida da ciência, a relação entre essa enzima e os processos inflamatórios de defesa, descrita acima, era ainda desconhecida.

O grupo estudou essa relação a partir da atuação da enzima no intestino. Um dos autores do projeto, o professor da Universidade de São Paulo, Helder Nakaya, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, explicou a importância da descoberta para o entendimento do processo inflamatório de defesa do organismo humano e como isso, para além da significação dentro do campo de pesquisa, afeta a vida das pessoas.

Helder afirma que a relevância da pesquisa reside no seguinte fato: “o que foi mostrado é que o GCN2 tem um papel importante na homeostasia intestinal [autorregulação do intestino]. Pela primeira vez, ligou-se essa detecção de falta de aminoácido no meio com controle da inflamação do intestino”. Conta também que um dos seus papeis na pesquisa, junto ao seu aluno de iniciação científica Leonardo Gama, que também assina o trabalho, foi analisar pacientes normais e com doenças inflamatórias no órgão, e constatou que, de fato, o CGN2 estava alterado no segundo grupo.

Essa descoberta pode vir a ser importante, por exemplo, para pessoas com doenças inflamatórias do intestino como colite ulcerativa e doença de Crohn, porque os pesquisadores perceberam, através de testes em camundongos, que dietas reduzidas em proteínas (ou seja, com menor quantidade de aminoácidos), fazem o GCN2 atuar mais. Deste modo, menos inflamações ocorrem e menor o desgaste do órgão. As análises nos animais demonstraram melhora nos sintomas das doenças após a adoção desse tipo de dieta.

FONTE

Artigo: http://www.nature.com/nature/journal/v531/n7595/full/nature17186.html 

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