Discussão de Artigo Científico – 23/05/16

DIA: 23/05/2016 (segunda-feira)

LOCAL: Sala de Seminários II – Prédio Central – FMRP

HORÁRIO: 11:00 horas

Artigo

Sem título

A capacidade da célula em transportar conteúdos celulares como lipídios, proteínas e material genético para as células-alvo através da secreção de microvesículas (MVs), caracteriza um novo mecanismo de comunicação celular. No entanto, suas funções no contexto de diversas patologias ainda não estão bem estabelecidas. Já foi demonstrado na artrite reumatoide humana que, MVs de leucócitos, plaquetas e fibroblastos podem ser encontradas no fluído sinovial, com concentrações que se correlacionam positivamente com a atividade da doença. Uma vez que neutrófilos se acumulam em grande número no espaço sinovial, durante as fases aguda e transitória da doença, acredita-se que 30% das MVs presentes nesse contexto sejam oriundas de neutrófilos. O artigo publicado na revista Science Translational Medicine (11/2015), pelo grupo do Prof. Mauro Perretti e colaboradores, demonstra que, neutrófilos presentes no fluído sinovial de pacientes com artrite reumatoide produzem MVs capazes de carregar moléculas bioativas, como a proteína anti-inflamatória Anexina-1 (Anx-1). Em análises in vitro em explants de cartilagem de ratos, foi demonstrado que as MVs de neutrófilos migram para dentro da cartilagem, rompendo a barreira de matriz extracelular e entregam a Anx-1 até os condrócitos. Em ensaios mais mecanísticos, foi demonstrado que a proteção induzida por MVs derivadas de neutrófilos, é dependente de Anx-1 e seu receptor FPR2 e resulta na indução da produção de TGF-β pelos condrócitos, tornando o microambiente no interior da cartilagem anti-inflamatório, protegendo o camundongo da lesão. Com base nesses achados, os autores acreditam que a interação MVs-condrócito possa ser explorada como uma nova plataforma para estratégias terapêuticas inovadoras no tratamento da artrite reumatoide e em outras doenças que levam a degradação da cartilagem.