Laboratório vai gerar camundongos transgênicos com técnica Crispr-Cas9

Plataforma foi financiada pelo CRID e vai beneficiar pesquisas desenvolvidas pelo centro e por toda a comunidade científica local

 A metodologia de Crispr-Cas9, que faz uma espécie de edição do DNA, está sendo utilizada na USP Ribeirão Preto para a geração de camundongos transgênicos voltados a pesquisas científicas. O laboratório que trabalha especificamente com essa técnica começou a funcionar em setembro e está ligado à prefeitura do campus da USP Ribeirão Preto e à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

 A técnica, cuja sigla significa Conjunto de Repetições Palindrômicas Regularmente Espaçadas, pode ser inserida em células por meio de injeções de DNA em embriões em fase inicial. Uma molécula de RNA é utilizada para atingir o gene que deve ser alterado. A plataforma para realizar injeções pró-nucleares e gerar os camundongos transgênicos foi financiada pelo Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), um dos centros de pesquisa, inovação e difusão financiados pela Fapesp no campus da USP em Ribeirão Preto.

 A geração de camundongos será feita no modelo de facility. “É um modelo de laboratório aberto à comunidade, porém quem solicita deve arcar com os custos. Esses custos são transferidos ao pesquisador responsável e ele direciona o dinheiro para ser investido novamente no projeto. Teremos inclusive uma agenda on-line. O modelo ainda está em implantação”, diz o coordenador do laboratório e pesquisador principal do CRID Thiago Mattar Cunha.

 Segundo Cunha, essa iniciativa é fundamental não apenas para as pesquisas desenvolvidas pelo CRID, mas para toda a comunidade científica local. “A importação de camundongos transgênicos não é tão simples no Brasil. Além disso, vamos poder gerar nossos próprios camundongos, deficientes para proteínas que o CRID descobriu no âmbito das doenças inflamatórias. Isso vai ser um projeto bem importante já que o laboratório vai atender a toda a comunidade científica”, explica.

 De acordo com ele, o impacto da iniciativa nas pesquisas vai além dessas facilidades, conferindo maior visibilidade internacional ao CRID e à própria universidade. “Ter uma plataforma, uma facility como essa, atrai colaboradores. A gente ganha em vários aspectos. Mesmo em universidades muito boas você não tem um laboratório como esse, que englobe todos os passos, desde gerar o embrião, fazer a injeção pró-nuclear e gerar o camundongo. Poucas universidades fazem isso”, diz Cunha.

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