Discussão de Artigo Científico – 10/08/2018

DIA: 10/08/2018 (sexta-feira)

LOCAL: Salão Nobre – Prédio Central – FMRP

HORÁRIO: 11:00 horas

Artigo

 

Sabe-se que os astrócitos são as células mais abundantes do sistema nervoso central (SNC) e que a micróglia modula atividades pró-inflamatórias e neurotóxicas dos astrócitos. No entanto, os mecanismos envolvidos nessa modulação não são completamente compreendidos. Além disso, sabe-se que essas células estão envolvidas na modulação da inflamação e da neurodegeneração no SNC. Nesse artigo, os autores buscaram compreender melhor os mecanismos envolvendo micróglias e astrócitos no modelo experimental de encefalomielite autoimune (EAE) de esclerose múltipla em camundongos. Como resultado foi encontrado que TGFα e VEGF-B produzidos pela micróglia regulam as atividades patogênicas dos astrócitos. O TGFα derivado da micróglia age através do receptor ErbB1 localizados nos astrócitos para limitar suas atividades patogênicas e desenvolvimento da EAE. Por outro lado, o VEGF-B microglial desencadeia a sinalização via FLT-1 em astrócitos e piora o score clínico da EAE bem como aumenta fatores pró-inflamatórios. Além dos resultados utilizando o modelo animal de EAE, também foi demonstrado que o VEGF-B e o TGFα microglial participam do controle de astrócitos humano. Além disso, a expressão de TGFα e VEGF-B em células CD14+ (um dos marcadores microgliais) correlaciona-se com o estágio de lesão (ativa ou crônica) da esclerose múltipla. Finalmente, os autores foram avaliar os efeitos dos metabólitos do triptofano no modelo de EAE, visto que já se sabia que tais compostos podem controlar a inflamação no SNC. Como resultado foi observado que os metabólitos do triptofano na dieta produzidos pela flora comensal controlam a ativação microglial e a produção de TGFα e VEGF-B, modulando o programa transcricional de astrócitos e a inflamação do SNC através de um mecanismo mediado pelo receptor de hidrocarboneto de arila (AhR). Dessa forma, foram identificados reguladores positivo e negativo que medeiam o controle microglial sobre astrócitos. Além de mostrar que os metabólitos gerados pela microbiota limitam as atividades patogênicas da micróglia e dos astrócitos e suprimem a inflamação do SNC. Sendo assim, este caminho pode guiar novas terapias para a esclerose múltipla e outros distúrbios neurológicos.