Pesquisa realizada pelo CRID identifica um promissor alvo no tratamento da sepse pediátrica

Com grande relevância na saúde pública, a sepse está associada a altas taxas de mortalidade em crianças, sendo que na forma mais grave da doença pode chegar acima de 50% de óbitos. Uma das principais explicações para esse elevado índice de mortes em crianças é o desenvolvimento incompleto ou “imaturidade” do sistema imunológico desta população, levando à uma resposta “pouco eficaz” durante a sepse.

Um estudo realizado pelo pesquisador do CRID David Cólon revelou que as Redes extracelulares de DNA liberadas por neutrófilos (NETs, do inglês Neutrophil Extracelular Traps) representam importante mecanismo na suscetibilidade e complicações na sepse na população pediátrica. Essa descoberta sugere que a degradação das NETs representa importante opção terapêutica para a sepse em crianças.

Sobre a Pesquisa:

A pesquisa teve como objetivo investigar o papel das Redes extracelulares de DNA liberadas por neutrófilos (NETs, do inglês Neutrophil Extracelular Traps) na fisiopatologia da sepse pediátrica. Os pesquisadores utilizaram um modelo experimental de sepse onde camundongos C57BL/6 de duas e seis semanas de idade, receberam inoculação intraperitoneal de suspensão de bactérias ou Lipopolissacarídeo (LPS). Os animais de duas semanas (na fase infantil) submetidos a sepse ou choque endotóxico produziram altas concentrações de NETs quando comparados aos animais adultos (de 6 semanas de idade). A maior produção de NETs foi associada a elevada expressão do gene Padi4 e citrulinação da histona H3 (fatores importantes para a indução das NETs). O tratamento de animais infantes sépticos com rhDNase (enzima que degrada as NETs) ou com inibidor da enzima PAD4 atenuou marcadamente a sepse.  Por fim, os pesquisadores observaram que pacientes pediátricos, tal como no modelo animal, produziam altas concentrações de NETs, apresentando correlação positiva com os sinais clínicos que indicam a severidade da sepse.

O estudo começou no ano 2015 a partir de observações experimentais que evidenciaram maior susceptibilidade de animais infantes à sepse quando comparados com animais adultos. Na literatura médica, a explicação para esse fenômeno era a “imaturidade do sistema imunológico”. Porém, o surgimento de evidências demonstrando que as NETs podem atuar tanto na defesa contra os microrganismos, como induzindo lesões em outros modelos experimentais de doença, tais como diabetes, pancreatite aguda e artrite reumatoide, levou os pesquisadores a investigarem o papel das NETs na sepse em infantes e os fatores chaves que explicam a alta susceptibilidade deste grupo etário à sepse.

A publicação completa pode ser acessada Aqui.