Avança o conhecimento dos mecanismos envolvidos nos processos inflamatórios

O Centro de Pesquisas em Doenças Inflamatórias (CRID – Fapesp) publicou mais de 450 artigos nos últimos cinco anos e as descobertas contribuirão para a compreensão das causas e tratamento das doenças inflamatórias.

As doenças inflamatórias, como infecção generalizada, artrite reumatóide, asma alérgica, doença de Chagas, entre outras, afetam mais de 10% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Como os tratamentos para esses distúrbios são restritos, é importante conhecer os mecanismos que desencadeiam os processos inflamatórios. Compreender como as doenças inflamatórias acontecem é um grande desafio da comunidade científica.

Nesse contexto, o Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com sede na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e oito pesquisadores principais envolvidos, avança nas pesquisas sobre os mecanismos moleculares, imunológicos e farmacológicos envolvidos nestas moléstias.

E os resultados são comemorados pelos pesquisadores participantes do CRID. Nos últimos cinco anos foram publicados mais de 450 artigos, uma média de 90 artigos por ano em revistas científicas de circulação internacional. Dentre eles, aproximadamente 30% foram publicados em revistas de alto impacto, incluindo Nature Medicine, Nature Communications, PNAS, Journal of Experimental Medicine, Cancer Research, Nature Immunology, Arthritis and Rheumatology, Circulation, Journal of Neuroscience, entre outras.

Seguem alguns destaques dos impactos científicos alcançados pelo CRID no período.

Kit diagnóstico: o Metotrexato (MTX) é a principal droga usada no tratamento da artrite reumatóide, entretanto, cerca de 30 a 40% dos pacientes em tratamento com essa droga não obtém resultado por serem resistes ao MTX, precisando de seis meses de tratamento para essa confirmação, podendo agravar progressivamente as lesões nas articulações. Em um estudo, os pesquisadores do CRID descreveram os mecanismos envolvidos nessa resistência, que foram publicados em dois periódicos de alto impacto e deram suporte científico ao desenvolvimento de dois testes diagnósticos para discriminar os pacientes resistentes e não resistentes ao tratamento.

Sepse 1: causada por uma infecção não controlada, é uma síndrome de alta prevalência nas UTIs brasileiras, apresentando alta taxa de mortalidade entre os pacientes acometidos. Os gastos no serviço público de saúde com a sepse são superiores a 15 bilhões de reais por ano. Estudos do CRID demonstraram que o DNA liberado na circulação sanguínea durante a infecção é um importante agente causador da lesão nos órgãos dos pacientes (fígado, coração, pulmões e rins) e, por isso a morte destes indivíduos. Os pesquisadores também demonstraram que a associação de antibióticos (protocolo atualmente utilizado nesses casos) melhora o quadro clínico da sepse, inclusive diminuindo sua letalidade.

Sepse 2: em outro estudo realizado pelo CRID buscou-se compreender os mecanismo envolvidos na imunossupressão em pacientes sobreviventes à sepse. Esses pacientes ficam mais suscetíveis a infecções e mais propensos ao desenvolvimento de tumores. O estudo demonstrou que, paralelamente à resposta inflamatória sistêmica, que ocorre durante a sepse, o organismo produz uma citocina (Interleucina-33) que desencadeia resposta de reparo dos tecidos nos pacientes que sobrevivem à sepse. Porém, também promove a geração de linfócitos T reguladores (Treg), que podem suprimir a imunidade, deixando o indivíduo mais suscetível a infecções. Evitando o aumento descontrolado desses linfócitos, é possível barrar a imunossupressão e aumentar a expectativa de vida desses pacientes.

Acesse a lista completa de publicações do CRID.